Os cuidados com a pele na terceira idade que podem começar desde cedo

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Por Julyanna Santos 26.04.2021

Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) – e seus estudos sobre envelhecimento -,  as funções fisiológicas normais da pele podem diminuir em 50% até a meia-idade, dependendo da genética e do estilo de vida. As doenças de pele, uma das mais frequentes do ser humano, acomete de 1/3 a mais de 50% das pessoas e, na faixa etária idosa, esse índice é ainda maior, de acordo com a entidade médica.

Temos, notadamente, uma relação de descuido com nossa pele; não damos a importância necessária para esse órgão e menosprezamos, ao longo dos anos, seu cuidado, fazendo isso apenas quando os sinais são visíveis, geralmente na terceira idade, ou quando, durante nossa vida, surgem manchas e marcas que nos levam a suspeitar de alguma doença.

É claro que alguns fatores “aceleram” o trabalho do relógio biológico, provocando o envelhecimento precoce da pele, como, por exemplo, a radiação ultravioleta, o excesso de consumo de álcool, o abuso de tabaco e a poluição ambiental.

Um importante estudo realizado pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, em 2006, investigou as principais queixas em mais de 50 mil consultas dermatológicas nas cinco regiões do Brasil. Esta pesquisa revelou que os tumores cutâneos (benignos, pré-malignos e malignos), as micoses superficiais e o ressecamento/espessamento da pele são os problemas mais comuns nos brasileiros com 65 anos ou mais. Queixas relacionadas a manchas, alergias e psoríase apareceram na sequência.

Dra. Sissi Cláudio, Dermatologista: “com relação à pele idosa, devido às alterações de afinamento e ressecamento da pele, o ideal é utilizar hidratantes e sabonetes adequados.

O Portal Fortaleza Amiga do Idoso conversou com a Dermatologista, Dra. Sissi Cláudio, sobre os impactos destas enfermidades na nossa saúde, quais as mais comuns na terceira idade e quais precauções são importantes nessa fase da vida. Confira!

Portal Fortaleza Amiga do Idoso – Qual o impacto do descuido com a pele na fase adulta e velhice?

Dra. Sissi Cláudio – Com o passar dos anos, as principais alterações que ocorrem na pele irão resultar, essencialmente, de dois fatores: os atribuídos à passagem do tempo e as consequências à exposição solar acumulada ao longo dos anos. Com relação ao envelhecimento da pele, as alterações mais relevantes são o afinamento, perda da qualidade e quantidade de colágeno, ressecamento pela perda de água e um pregueamento da pele.

Já com relação à exposição solar acumulada, todo o sol que você pegou desde a infância até a velhice importa e o que vemos são manchas – tanto brancas quanto escuras – e acentuação do enrugamento da pele. Além disso, neste tópico também entra a maior chance de desenvolver cânceres de pele e lesões que podem se tornar cânceres de pele (as chamadas lesões pré-neoplásicas).

Então, caso não haja cuidados diários, desde cedo, essas consequências podem se tornar mais exuberantes e de tratamento mais difícil. Daí a importância da prevenção.

Portal Fortaleza Amiga do Idoso – Quais os principais cuidados que um idoso deve ter com sua pele?

”Quanto à orientação de uma Dermatologista ela assegura ser fundamental no acompanhamento!”

Dra. Sissi Cláudio – Na verdade, o cuidado deveria ser iniciado ainda em idade mais jovem. Por isso, recomendamos que as pessoas consultem um Dermatologista, mesmo que não tenha nenhuma doença de pele, para orientarmos quanto a esses cuidados e prevenção.

No entanto, nunca é tarde para começar os cuidados com a pele. Com relação à pele idosa, devido às alterações de afinamento e ressecamento da pele, o ideal é utilizar hidratantes e sabonetes adequados. Preferir hidratantes mais potentes e livres de perfumes e sabonetes líquidos e de PH mais próximo ao PH normal da pele. Essas ações já aliviam bastante o ressecamento e aliviam também outro sintoma bem comum da pele ressecada: a coceira!

Com relação aos cuidados com o sol, recomendamos proteção solar de uso diário, mesmo estando em casa, e reaplicar o protetor a cada 3 horas. Em caso de necessidade de uma exposição solar mais intensa, como caminhadas na praia, por exemplo, além do protetor solar, recomendamos o uso da proteção física, com óculos, viseiras, chapéus e camisas com proteção UV.

Portal Fortaleza Amiga do Idoso – E com relação às doenças de pele na terceira idade? Quais as mais comuns?

Dra. Sissi Cláudio – O câncer de pele do tipo não melanoma é o câncer mais comum no mundo! Então, certamente, nossas atenções devem estar voltadas para prevenir esse e outros cânceres de pele.

Com relação as alterações benignas, a púrpura senil (pele arroxeada pela fragilidade de vasos), manchas do sol, ressecamento da pele e coceira são bastante comuns também. Por conta dessa fragilidade temos, como consequências, ferimentos e infecções de pele, além de doenças causadas pelo ato de coçar com frequência.

Dona Livanete aprendeu a cuidar da pele ainda jovem: é fundamental!

Cuidar da pele é fundamental!

Livanete Alves da Silva, de 65 anos, é beneficiária do Projeto Fortaleza Cidade Amiga do Idoso, e cuida da pele desde jovem. Ela, que é aluna do Professor Eudes Marques, do Eixo Esporte Amigo do Idoso, aprendeu sozinha a cuidar da pele: “a gente tem que se cuidar, né?

Além dos cuidados com a pele, faço questão de me alimentar bem. Acredito que um complementa o outro,” finaliza.

Ao acordar, faz uma limpeza com loção tônica e, durante o dia, usa protetor solar, principalmente quando precisa sair de casa. Já a noite, ela usa um creme rejuvenescedor: “tenho 65 anos e todo mundo diz que parece mais novo. Tenho certeza que é o cuidado que tenho com a minha pele”, brinca.

Quanto à orientação de uma Dermatologista ela assegura ser fundamental no acompanhamento!

Saiba mais

A  Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) lançou, em 2018, Cartilha intitulada “CUIDADOS COM A PELE DA PESSOA IDOSA”. Clique aqui e acesse! 

Veja mais: O estresse emocional do Cuidador de Idosos: barreiras e soluções para o cuidado da pessoa idosa

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