Por Julyanna Santos 14/06/2021

A sexualidade da pessoa idosa, infelizmente, ainda é um tabu em nossa sociedade. No entanto, a expressão da sexualidade é algo normal, indissociável do indivíduo, fazendo parte da sua composição como ser humano, inclusive nesta fase da vida.

Vergonha, medo, culpa, são alguns sentimentos que acompanham a pessoa idosa, quando da manifestação sexual. Reprimir o desejo, o prazer do ato sexual é, ainda, uma prática comum em nossa sociedade, que não observa e não considera as necessidades das pessoas idosas, deixando-as de lado em suas aspirações.

A sociedade acredita que os idosos perdem a atratividade sexual, mas isso é somente mais um estereótipo criado; reconhecer a atratividade sexual é um fator social muito importante e de grande ganho emocional.

Por isso, a auto aceitação é o ponto de partida para que o idoso enfrente as cobranças por jovialidade, desempenho e performance.

De acordo com o artigo 1º (O Direito à Liberdade Sexual) da Declaração dos Direitos Sexuais (1997): “A liberdade sexual diz respeito à possibilidade dos indivíduos em expressar seu potencial sexual. No entanto, aqui se excluem todas as formas de coerção, exploração e abuso de qualquer época ou situações de vida”.

Psicóloga e Sexóloga, Adriane Mussi: “O sexo pode oferecer inúmeros benefícios para quem o pratica: além da liberação de hormônios e neutransmissores relacionados com o prazer e o bem-estar”.

Nossa estrutura corpórea sofre mudanças com a idade, assim como o padrão sexual, mas, embora a atividade sexual possa diminuir, a expressão amorosa, o contato físico e emocional, a retribuição do afeto e carinho, despertando desejos, podem aumentar, trazendo felicidade e propósito na vida da pessoa idosa.

Dia 12 de junho é o Dia dos Namorados e para falar sobre namoro, sexo, afetos, possibilidades sexuais, o Portal Fortaleza Cidade Amiga do Idoso, conversou com a Psicóloga (CRP 08/30.778) e Sexóloga, Adriane Mussi. Confira entrevista:

Portal Fortaleza Cidade Amiga do Idoso – A sexualidade e o sexo na terceira é sempre um tabu. A que a sra. atribui esse preconceito principalmente na família?

Adriane Mussi – Quando estudamos a história da sexualidade humana, vemos que por muitos séculos considerou-se que o ato sexual tinha um único fim, o da reprodução. O prazer feminino, inclusive, foi mal visto por muitos séculos. Com isso, criou-se um senso comum de que se já não estamos mais em idade reprodutiva, logo, não há um “motivo” para a prática de relações sexuais. Somado a isso, também há no imaginário comum a ideia de que quando uma mulher se torna mãe, ela já não existe mais como mulher com sonhos e desejos próprios, como se seus desejos individuais fossem conflitantes com o novo papel que o “ser mãe” representa – e é isso que está começando a se transformar: hoje, entendemos esses papeis como concomitantes, possíveis de existir simultaneamente. Assim, com as possibilidades de prazer e a compreensão social do novo lugar da mulher, surge espaço para o desejo sexual da mulher se mostrar, o que pode causar estranhamento dentro de uma família.

Portal Fortaleza Cidade Amiga do Idoso – Idosos, hoje, mais do que nunca, tem buscado experimentar e viver novas experiências sexuais. Quais os benefícios do sexo na terceira idade?

Adriane Mussi – O sexo pode oferecer inúmeros benefícios para quem o pratica: além da liberação de hormônios e neutransmissores relacionados com o prazer e o bem-estar, a relação sexual pode proporcionar satisfação pessoal, maior proximidade entre o casal, relaxamento do estresse do dia-a-dia, dentre outros.

Portal Fortaleza Cidade Amiga do Idoso – É sabido dos altos índices de infecção do HIV entre idosos. Qual a importância de se conversar sobre DSTs entre idosos? Qual o cuidado antes de estabelecer relação sexual?

Adriane Mussi – Podemos pensar em algumas causas. Há, por exemplo, o mito de que as Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) apenas são transmitidas em relações homoafetivas, ou de que, por não haver a possibilidade de reprodução após a menopausa, não ser necessário fazer uso de métodos preventivos. Porém, em qualquer idade e/ou orientação sexual, precisamos nos prevenir acerca de possíveis infecções, fazendo uso da camisinha feminina ou da masculina (escolhendo uma delas para o uso), e fazendo exames conforme a orientação médica.

Portal Fortaleza Cidade Amiga do Idoso – O que os idosos mais perguntam quando são atendidos em consultórios sobre o tema sexualidade?

Adriane Mussi – Geralmente há mais vergonha em falar sobre a temática e os atendimentos giram em torno da possibilidade de permitir-se relacionar e sentir prazer (seja dentro de um casamento ou numa nova relação) e, também, da educação em sexualidade. Por exemplo, a descoberta anatômica do clitóris (que é maior do que se sabia até a década de 1990); outras possibilidades de trocas entre o casal e de sentir prazer que não necessariamente a penetração (como práticas masturbatórias e descoberta de outras zonas erógenas); e o uso de lubrificantes que proporcionem mais conforto ou prazer.

Portal Fortaleza Cidade Amiga do Idoso – Quais seriam as alterações esperadas no envelhecimento normal para o homem e para a mulher em relação ao sexo?

Adriane Mussi – Na mulher, após a menopausa, há uma diminuição da lubrificação e o ressecamento da mucosa vaginal. É importante mencionar que, se a relação sexual se tornar desconfortável ou dolorida, pode impactar na libido desta mulher. Nos homens, a frequência das ereções pode diminuir, se comparada a outras fases da vida, e pode diminuir também a rigidez do pênis durante ereção. Se houver dúvidas sobre o que é comum para esta fase da vida e o que parece estar inadequado, o indicado é procurar um médico para avaliar e esclarecer essas questões conforme o caso a caso.

Para saber mais, acesse o Instagram de Adriane Mussi: www.instagram.com/adrianemussi/

Para assistir a participação de Adriane Mussi na Live Fortaleza Amiga do Idoso, clique no link: https://www.facebook.com/watch/live/?v=124315299410351&ref=watch_permalink

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