Por Jacylete Abreu 04.06.2021

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    Diante de um mundo cada dia mais rápido, cidades com rotinas aceleradas e pessoas cada vez mais consumistas e individualista, o cohousing se apresenta como um antídoto a essa aceleração exacerbada que comprovadamente tem impactado na saúde física e mental de seus habitantes de qualquer idade.

    Esse novo conceito de moradia, também chamada de comunidade intencional, baseia se no compartilhamento, em atitudes sustentáveis para o meio ambiente e na valorização dos vizinhos em um espaço comum.

    Edgar Werblowsky é fundador da Freeway Brasil, Freeway Viagens e Immaginare

    O primeiro cohousing do mundo foi construído em 1972, na Dinamarca, por um grupo de pessoas que buscavam ter vizinhos com senso de comunidade. Nessa época essa alternativa de moradia atraia famílias. Depois surgiu o cohousing sênior compartilhado por pessoas da terceira idade.

    Alguns estudos já comprovam que esse modelo de moradia contribui, de forma bem interessante, para uma vida mais longeva, com uma melhor saúde física e mental e, principalmente um antidoto contra a solidão tão comum nas pessoas com 70, 80 e 90 anos.

    Edgar Werblowsky, fundador da Freeway Brasil, Freeway Viagens e Immaginare, formado em Engenharia Civil e atuante na promoção de novas formas de se relacionar com a natureza e com as cidades, garante que o cohousing é um modelo de moradia que combina privacidade com comunidade, ideal para envelhescentes ativos! “A ideia, já bastante difundida em vários países, tem se mostrado uma solução para um envelhecimento saudável, ativo e mais feliz”, defende.Edgar Werblowsky concedeu entrevista para o Portal Fortaleza Cidade Amiga do Idoso sobre o tema. Confira:

    Portal Fortaleza Amiga do Idoso: Como nasce um cohousing?

    Edgar Werblowsky: Um cohousing nasce do desejo de um grupo de pessoas de morar em comunidade e  começa normalmente com a reunião de alguns amigos que se propõem a materializar um sonho de viverem juntos, próximos, e compartilharem uma parte de suas vidas. A partir deste primeiro passo esse grupo inicial começa a atrair outros amigos, e o grupo vai tomando forma.

    O grupo vai se organizando, planejando o processo, tomando as decisões, vai transformando o grupo numa verdadeira comunidade, em que as pessoas vão se conhecendo mais, vão se descobrindo, vão encontrando pontos em comum, e a partir disso vai se solidificando a relação entre elas. É um processo que necessita de muita organização para que o sonho se materialize, finque raízes, e chegue a um bom termo.

    É importante dizer que o cohousing pode ser desenvolvido apenas pelo grupo, que vai contratando os profissionais necessários para desenvolver o projeto ou poderá ser desenvolvido com o apoio de um incorporador, o que pode tornar o processo mais fácil.

    No caso do grupo coordenar todo o projeto sozinho é altamente recomendável a contratação de um facilitador/mediador com experiência em cohousing e processos de tomada de decisão de grupo, para que o processo seja eficaz e não cause desgaste entre os membros do grupo.

    Portal Fortaleza Amiga do Idoso: Qual a diferença entre coliving x cohousing e um kibutz?

    Edgar Werblowsky: O kibutz é um modelo de moradia e vida criado em Israel no final do século XIX e começo de século XX que propunha uma vida comunitária em moldes socialistas, de acordo com as ideias que vicejavam em meio à população judaica do leste europeu.No kibutz a propriedade é um bem comum. De todos.

    No cohousing a propriedade é individual. Privativa. Os bens de cada indivíduo membro da comunidade são deles.

    A diferença entre cohousing e coliving está em que no cohousing cada pessoa tem uma casa ou apartamento para si. No coliving as diversas pessoas moram numa mesma casa.

    “Cohousing” é alternativa de moradia intencional e colaborativa que tem atraído o público com mais de 60 anos

    Portal Fortaleza Amiga do Idoso: Qual seria o perfil de um morador de um cohousing?

    Edgar Werblowsky: Uma pessoa que deseja morar num cohousing deve primeiramente ter uma visão de compartilhamento. E um desejo de cooperação. Uma pessoa muito individualista não seria o perfil ideal para viver num cohousing. Não que a pessoa não terá a sua privacidade. Terá sim. Cada um com sua casa e seu espaço. Ninguém é obrigado a nada. Mas o valor da comunidade do cohousing, intrínseco, estará na cooperação e no desenvolvimento do grupo como uma comunidade com alma.

    A pessoa que pretende ir viver num cohousing também deve estar em plena capacidade física. Ser independente. Isto quer dizer que o cohousing não é um lar para pessoas idosas. Não é que o cohousing não tenha pessoas idosas. Sim, pode ter. Mas elas devem ter envelhecido no cohousing. Não terem entrado já idosas. As pessoas que querem viver num cohousing devem estar ativas. “Donas do seu destino”.

    Ou seja, as pessoas devem planejar ir para um cohousing “antes” da velhice. O conceito da velhice sendo subjetivo e individual.

    Portal Fortaleza Amiga do Idoso: Em que aspectos as pessoas da terceira idade se beneficiariam em viver num cohousing?

    Edgar Werblowsky:  são inúmeros os aspectos.

    – Qualidade de vida

    – Relação de amizade e apoio mútuo.

    – Senso de pertencimento

    – Redescoberta e desenvolvimento de talentos e habilidades antes relegadas ou até desconhecidas

    – Desenvolvimento cognitivo – a partir da multiplicidade de possibilidades de aprendizado

    – Contato com terra, natureza, em cohousings rurais.

    – Ar puro, água pura, em cohousings rurais

    – Economia na contratação de serviço pessoal de saúde possivelmente necessário na velhice – compartilhando horários de profissionais como fisioterapias, cuidadores, etc …

    – Compras coletivas

    – Antídoto para a solidão e o isolamento

    Portal Fortaleza Amiga do Idoso: A localização e estrutura física para se criar um cohousing é exclusiva a áreas rurais e construções horizontais?

    Edgar Werblowsky: Não. Os cohousings podem se localizar em qualquer área. Seja urbana ou rural. E pode ser horizontal ou vertical. Nas cidades, onde há áreas escassas, a tendência maior são os cohousings verticais. Que podem ser construídos do novo, ou podem ser retrofit, adaptando-se algum edifício ou construção para o novo modelo.

    Portal Fortaleza Amiga do Idoso: No Brasil já existe cohousing. Onde? E qual seria o perfil?

    Edgar Werblowsky: Que seja de meu conhecimento ainda não existe um verdadeiro cohousing já em funcionamento no Brasil. Existem empreendimentos que buscam usar o termo cohousing mas não o são. Pois para se formar um cohousing é necessário a formação de uma comunidade, mesmo que seja com o apoio de incorporadores. Mas a construção destes laços é essencial. É o software, a alma de um cohousing. Cohousing sem esse software vira um condomínio.

    Mas há alguns cohousings em formação. Um, que tem feito um trabalho diligente, contínuo, e se encontra na fase do projeto das casas, é o Vila Conviver, da Associação dos Docentes da Unicamp.

    Portal Fortaleza Amiga do Idoso: Quem se interessar em investir no cohousing onde pode obter informações?

    Edgar Werblowsky: O Brasil ainda dispõe de escassa informação e pouca experiência prática no tema. Por isso a Free Aging criou um curso com profissionais experientes dos Estados Unidos, arquitetos e sociólogos, que vivem há muitos anos em seus cohousings.

    O curso acontecerá de 5/7 a 13/9, todas as segundas-feiras, das 18h às 20h.

    As informações e inscrições são feitas através do site www.cursocohousing.com.br

    Dúvidas podem ser tiradas através do whats app 12 9960 51530

    Edgar Werblowsky participou do Programa Fortaleza 6.0 do último sábado (05). Confira a entrevista completa:

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