Histórias de amor pela jardinagem e os benefícios da hortoterapia para a pessoa idosa

Categorias

Compartilhar

Por Julyanna Santos 29.03.2021

Também chamada de hortoterapia, a jardinagem está entre as práticas indicadas por médicos e especialistas para garantir a longevidade na melhor idade; capaz de trazer benefícios como a melhora do humor e da autoestima, o aumento da disposição e da autonomia, o cuidado com plantas pode proporcionar uma vida mais alegre e com propósito.

Encarregar-se de uma horta, plantar flores, árvores ou colocar ornamentos em casa, é uma rotina prazerosa de cuidados, motivando mudanças de hábitos importantes, como a redução do sedentarismo e o estímulo cerebral.

A jardinagem é uma ferramenta de integração do idoso com a natureza, a casa e a sociedade, principalmente para as pessoas idosas que estão impossibilitadas de saírem de casa ou não têm com quem conversar e interagir.

Criar vínculos sociais é de extrema importância para a saúde mental e qualidade de vida, já que impulsiona a autoestima, realização pessoal e a sensação de viver por si.

Existem muitas dúvidas sobre quais plantas cultivar no jardim de casa ou apartamento. O Coordenador da Horta Social da Granja Portugal, Júlio César de Sousa Barbosa, do Projeto Fortaleza Cidade Amiga do Idoso; aconselha que, para escolher a melhor opção, “é preciso analisar quanto espaço será reservado para o cuidado. No geral, é bom ter em casa plantas frutíferas, verduras, legumes, flores e ervas. Além de desempenharem um papel como a melhora da alimentação, elas também participam da decoração da casa. Já em apartamentos, há a possibilidade do jardim vertical, jarros e vasos.”

Dona Núbia, desde que ficou viúva, cultiva o salutar hábito de plantar: “me faz um bem danado”

Com a jardinagem é possível desfrutar da simplicidade dos gestos e, ao mesmo tempo, fazer dela uma terapia.

Conheça Maria Núbia da Costa Brasil, de 68 anos, Maurina Alexandre de Souza, de 71 anos, Maria Margarida, de 63 anos e Maria Lucia Magalhães de Souza, de 77 anos; idosas beneficiárias do Projeto Fortaleza Cidade Amiga do Idoso. Cada uma, a seu modo, tem uma relação muito especial com o plantar, colher, cuidar.

Meu mamoeiro é meu orgulho

Dona Maria Núbia, cultiva girassol, orquídeas, palmeiras e orgulha-se do seu mamoeiro. O mamoeiro, plantado no quintal de casa, é o seu orgulho; ele já da frutos que são consumidos por ela no café da manhã. “Desde que fiquei viúva e meus filhos foram morar em suas casas, que planto, aqui no meu quintal mesmo, plantinhas e flores. Nesse período de pandemia, tem sido ótimo para ocupar o tempo e a cabeça também”, finaliza.

“Minhas plantinhas, meu melhor passatempo”, afirma Dona Maurina

Perseverança é nunca desistir

Já Dona Maurina, é beneficiária das hortas sociais, e adora plantar para ocupar o tempo e, segunda ela, “não ficar só nas atividades do lar”. Às vezes, sente dificuldade em plantar, pois algumas plantinhas acabam morrendo. Ela, no entanto, não desiste e já plantou capim santo, escadinha de São José e uma plantinha chamada nove horas. Na foto, enviada ao Portal Fortaleza Cidade Amiga do Idoso, percebe-se o carinho e o orgulho da Dona Maurina por suas plantinhas.

Plantar, para Dona Margarida, é uma terapia: “converso com elas e sei que elas me escutam”

Por mim, morava no meio dos “mato”

“Carrega comigo a herança de toda uma família! Sou do interior do Estado e desde pequeno cultiva e gosto de plantas”, orgulha-se Dona Margarida. Ela ama a natureza e uma das melhores coisas da vida é acordar com aquele cheirinho de “mato”. Dona Margarida mora no Conjunto Ceará, mas por ela morava no meio dos “mato”: “a cidade é muito poluída, né? Uma das coisas que mais gosto de fazer é conversar com minhas plantinhas. Aconselho que todos tenham a experiência de plantar nem que seja uma plantinha. É revigorante”. Ela também possui em seu quintal, pés de bananeira, acerola, mangueira, urucu e até graviola.

“Adoro plantar ervas medicinais”

Dona Lucia venceu a COVID: isso é que é superação!

Dona Maria Lucia adora plantar ervas medicinais: “planto capim cidreira, capim santo, hortelã e outros. É ótimo para fazer chá”. Ela, que venceu a Covid-19, mas ficou com algumas sequelas, planta ervas para ocupar a mente e respirar o ar puro que necessita para sua plena recuperação. Além das ervas, também planta tomatinho cereja e outras plantas para decorar sua casa. Dona Lúcia, é sinônimo de superação.

Quer conhecer o projeto Hortas Sociais? Clique aqui:

https://www.fortalezaamigadoidoso.com.br/hortas-sociais/