Estudo americano comprova a importância do ambiente para uma vida mais longeva

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Por Julyanna Santos 09/11/2020

Um erro muito comum, cometido por familiares e cuidadores, é acreditar que apenas a saúde física dos idosos merece atenção. Essa perspectiva desconsidera as infinitas possibilidades de bem-estar da pessoa idosa e toda sua complexidade.

Recentemente, estudo conduzido por cientistas da Washington State University e publicado no “International Journal of Environmental Research and Public Health”, mostrou a influência do ambiente em que vivemos na vida e na longevidade das pessoas.

O estudo investigou dados relativos à morte de cerca de 145 mil moradores do estado de Washington, nos EUA, todos com 75 anos ou mais, entre 2011 e 2015. Ao cruzar as informações, concluíram que regiões com grande diversidade de idades, levavam idosos a terem maior apoio da comunidade e se sentirem menos isolados, além de gerar  uma demanda por serviços e lazer, levando ao incremento de atividades físicas e consumo por produtos de qualidade. O resultado? Uma vida mais longa!

Flávio Cordeiro dos Reis Junior (no centro da foto), acompanhou estudo realizado pela Faculdade de Desporto da Universidade do Porto – FADEUP em parceria com o Projeto Fortaleza Cidade Amiga do Idoso. A foto acima foi registro feito antes da Pandemia da COVID-19. (Foto: Jarbas Oliveira)

Flávio Cordeiro dos Reis Junior, Coordenador do Projeto Esporte Amigo do Idoso, corrobora com o estudo ao afirmar que a saúde mental dos idosos é fator preocupante principalmente diante do cenário pandêmico em que vivemos. Flávio Cordeiro acompanhou estudo, realizado pela Faculdade de Desporto da Universidade do Porto – FADEUP em parceria com o Projeto Fortaleza Cidade Amiga do Idoso, constatou que cerca de 20% dos idosos inscritos no projeto sofrem de algum tipo de demência e depressão. Ele é enfático: “a socialização é, definitivamente, a ferramenta mais importante no combate às questões psicossomáticas. Eu tenho a oportunidade de ver isso, in loco, todo o dia com os idosos do eixo Esporte Amigo do Idoso”.

Promover o envelhecimento ativo, saudável, cidadão e sustentável da população idosa, é uma estratégia necessária para o enfrentamento dos desafios do envelhecimento populacional.

A psicóloga, Adriana Lisboa, fala sobre a dimensão da intergeracionalidade e da atividade física. (Foto: Arquivo Pessoal)

O Projeto Fortaleza Cidade Amiga do Idoso conversou com a psicóloga, Adriana Lisboa, sobre a importância da intergeracionalidade e da atividade física, resultado da pesquisa americana. Adriana é especialista na linha Gestalt (abordagem da psicoterapia que focaliza a pessoa e a singularidade de sua experiência). Confira!

Projeto Fortaleza Cidade Amiga do Idoso – Qual a importância do ambiente comunitário, com diversidade de gerações e acesso a equipamentos de atividade física?

Adriana Lisboa: É de extrema importância! A Organização Mundial da Saúde (OMS), dentro de suas diretrizes, coloca como um dos pilares para uma vida saudável, o acesso a equipamentos que favoreçam o desenvolvimento do ser humano como um todo: físico, mental, social e espiritual.

Então, uma praça para que seja possível fazer uma caminhada, um equipamento cultural e espaços de convivência são fundamentais. Importante frisar: isso vale para todas as etapas das nossas vidas! Somos seres de relacionamento, e ter nas comunidades espaços que oportunizem esses momentos de convivência, que atravessam todo nosso desenvolvimento, engrandecem nossa vida e nos fazem viver mais e melhor.

Projeto Fortaleza Cidade Amiga do Idoso – Porque familiares negligenciam aspectos ambientais para a saúde da pessoa idosa?

Adriana Lisboa: Infelizmente, para muitas famílias, o idoso é visto como um peso, um fardo; mesmo tendo contribuído durante tanto tempo para sua comunidade e para família, quando idoso passa a ser considerado uma pessoa que tem trazido muito mais dificuldades do que facilidades, principalmente no que tange a convivência dentro da família.

Muitas vezes é mais “prático” – e aqui não estou generalizando – deixar o idoso dentro de casa, confinado, às vezes sem acesso a convivência com outras pessoas, com outros espaços, pois considera que dessa forma não vai ter o “trabalho”.

Projeto Fortaleza Cidade Amiga do Idoso – Qual o efeito da pandemia na vida dos idosos, que foram “forçados” ao isolamento?

Adriana Lisboa: A falta de acesso a locais públicos passou a ser uma outra forma de negligenciar, mantendo, de certa forma, o idoso muito mais privado. Claro, que as autoridades sanitárias fizeram a recomendação, mas é preciso criar mecanismos para manter os idosos ativos, mesmo em período de reclusão.

Projeto Fortaleza Cidade Amiga do Idoso – Como promover um ambiente saudável e feliz, mesmo em situações adversas, como falta de recursos financeiros?

Adriana Lisboa: Quando há o desejo verdadeiro de promover um ambiente saudável e feliz, os aspectos financeiros passam a não ser tão importante. Hoje nós dispomos de locais em que é possível ter momentos de lazer sem ter que despender recursos financeiros; ir a uma praça, a uma praia, um parque, são locais e momentos que não exigem muitos recursos.

É preciso ter vontade e desejo em promover esses encontros de socialização.