Envelhecimento pós-covid: quais as consequências da infecção em idosos que se recuperam

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Por Ana Clara Jovino 26.03.2021

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    Não é nenhuma novidade que os idosos são mais suscetíveis a contrair e a ter complicações do novo coronavírus. Desde o início da pandemia, vem sendo divulgado sobre a importância do cuidado redobrado com as pessoas com mais de 60 anos, pois com o sistema imunológico menos eficiente e os pulmões mais frágeis, o grupo tem uma maior chance de evoluir com doença mais grave.

    De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as chances de letalidade para idosos de 60 a 69 anos são de 3,6%. Já idosos com idade entre 70 e 79 anos, as chances aumentam para 7% e idosos acima de 80 anos, o risco cresce ainda mais, para 14,8%.

    Mesmo assim, felizmente muitos idosos se recuperam da doença e voltam para casa e para suas atividades rotineiras. Porém, com algum tipo de sequela. A Covid-19 deixa nos idosos consequências que vão desde alterações físicas a psicológicas.

    Jarbas de Sá Roriz Filho é médico especialista em Geriatria, Doutor em ciências médicas e professor do Departamento de Medicina Clínica da Faculdade de Medicina da UFC

    O Portal Fortaleza Cidade Amiga do Idoso conversou com o médico especialista em Geriatria, Jarbas de Sá Roriz Filho. Doutor em ciências médicas e professor do Departamento de Medicina Clínica da Faculdade de Medicina da UFC, ele explica quais os impactos da Covid-19 em idosos.

    De acordo com o médico, as maiores consequências da doença são a sarcopenia, que é a perda acentuada de massa muscular, durante o período de infecção, além do comprometimento pulmonar, que pode levar a menor tolerância a atividades e contribuir para instalação de quadro de fadiga crônica, e o declínio cognitivo de graus variados e sonolência após a infecção.

    Quanto mais avançada a idade do paciente e debilitado o organismo, a propensão a sequelas da infecção é maior. “A idade avançada está associada a maior ocorrência de síndrome de fragilidade na população idosa. Quanto maior o grau de fragilidade maior a propensão tanto a óbito pela infecção como a ocorrência de maiores sequelas na pós-infecção”, enfatiza Dr. Jarbas.

    O médico ainda explica que a grande maioria dos idosos infectados desenvolvem a chamada síndrome pós-Covid. “Após o Covid é comum descompensação de doenças crônicas preexistentes, seja pela infecção diretamente ou por efeitos adversos de medicações utilizadas no tratamento. Os pacientes após a Covid têm maior propensão a ocorrência de eventos trombóticos devido a existência comum de fatores de risco de complicações trombóticas nessa população”, explica.

    Os idosos que foram infectados pelo coronavírus e se recuperaram devem começar uma reabilitação multidisciplinar. O médico recomenda, para a recuperação motora e respiratória, a manutenção de fisioterapia. Também é de suma importância intervenções nutricionais, cuidados de enfermagem, de fonoterapia, de terapia ocupacional e suporte psicológico.