Estamos no mês de março e a epidemia do coronavírus segue firme se espalhando pelo mundo. Até o momento, 64 países já enfrentam o problema, o número de infectados chegou a 90.893 e as mortes ultrapassam 3.100 casos. No Brasil, as suspeitas de contaminação subiram de 433 para 488 na última semana, com 25 casos confirmados até o momento.

Enquanto os cientistas não encontram uma cura definitiva, o problema segue preocupando pessoas de todas as idades. Em especial, a população mais velha. Diversas pesquisas médicas apontam os 65+ como o grupo mais suscetível ao vírus.
Parece claro que o coronavírus não deve ser visto como um fato isolado. Ao longo dos tempos, muitas foram as epidemias que enfrentamos. Os primeiros casos de Dengue no Brasil datam de 1986. A epidemia se agravou em 1990 com o surgimento de um segundo tipo da doença e novamente em 2001 com um terceiro tipo. Em 2009, as autoridades de saúde brasileiras registraram 55.867 casos de H1N1. Depois, a Copa do Mundo de 2014 introduziu no país uma epidemia de Zika Vírus. Isso sem falar nos casos de Chikungunya e Sarampo que, de tempos em tempos, voltam a ganhar destaque nos noticiários.

Tudo isso nos chama a atenção para a necessidade de cuidados com a nossa saúde e, principalmente, de prevenção. Com exceção do H1N1, que 80% dos casos eram de pacientes com menos de 60 anos, as demais epidemias citadas aqui tiveram como grupo mais suscetível a população idosa. Para os especialistas, duas razões parecem óbvias: pessoas com mais idade geralmente possuem uma menor capacidade de lidar e de se recuperar de algumas doenças e também pelas mudanças que ocorrem no nosso sistema imunológico com o passar dos anos. O que reforça ainda mais a necessidade da prevenção.
Costumamos procurar um especialista apenas quando estamos doentes. Nossa cultura não nos leva aos consultórios para evitarmos possíveis doenças, mas para curá-las. Quando falo em prevenção, refiro-me também à adoção de hábitos saudáveis, como uma alimentação rica e balanceada, a prática regular de exercícios físicos, noites de sono tranquilas e bem dormidas. Como anda a sua caderneta de vacinação? Está em dia? Você já tomou todas as vacinas indicadas pelo Ministério da Saúde para a sua faixa etária?
Hoje, os idosos representam 10,5% da população brasileira, ou seja, 19,6 milhões de pessoas. A previsão do IBGE é de que, até 2050, esse percentual chegue a 30%, o que significa 66,5 milhões de pessoas com mais de 65 anos. Serão a maioria. Em 2050, o Brasil será um país idoso. Agora imagine uma epidemia atingindo todo esse contingente? Seria uma catástrofe. Mas para evitar isso, todos precisam fazer sua parte, governo com políticas públicas e população com prevenção e conscientização.
Longevidade não significa apenas viver mais. Significa ter qualidade de vida ao longo de todo esse tempo a mais que ganhamos. Mas para ter longevidade, é preciso investir em longevidade. Por isso, cuide-se mais para viver mais e melhor.

Por Henrique Noya
Henrique Noya é diretor-executivo do Instituto de Longevidade Mongeral Aegon. Formado em Economia e Direito, com pós-graduação em Administração, está presente desde o início do projeto do Instituto, participando de sua formulação conceitual e do desenvolvimento de seus projetos. O Instituto é hoje referência nacional na discussão dos impactos sociais e econômicos da longevidade, através de seus programas com foco no trabalho, desenvolvimento das cidades e promoção do conhecimento sobre o tema longevidade. Tudo isso, com o objetivo de promover a preparação do país e dos indivíduos para a realidade do aumento da expectativa de vida.

Fonte: www.institutomongeralaegon.org

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