“Até o momento, não há nenhum medicamento, substância, vitamina, alimento específico ou vacina que possa prevenir a infecção pelo novo coronavírus”, alerta o Ministério da Saúde, que criou uma página só para as fake news que circulam pela internet.

Mas é possível, sim, reforçar a imunidade para dificultar a contaminação pelo coronavírus. Isso porque, explica Daniel H. Kakitani, médico infectologista e professor da Escola de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), “toda vez que a nossa função celular de defesa não está bem, aumenta a chance de um vírus invadir nosso organismo”.

“A imunidade nada mais é que um sistema de defesa do próprio organismo contra agentes agressores e células com mau funcionamento, capaz de regenerar tecidos e matar micro-organismos”, complementa o clínico-geral Hussein Awada, do Premium Lab Diagnósticos. “Quando esse sistema tão eficaz não está funcionando, o corpo fica exposto a infecções virais, bacterianas e fúngicas.”

“Ao mesmo tempo que o corpo com baixa imunidade se torna mais inflamado, origina as moléstias crônicas que terminam com ‘ite’ – como bronquite, dermatite, rinite, sinusite – e todas as doenças autoimunes que vêm crescendo de uma forma exponencial. Hoje, até o câncer é classificado como doença inflamatória crônica, ou seja, está diretamente relacionado ao sistema imunológico”, afirma.

Segundo os especialistas, os principais sintomas de baixa imunidade são:
– infecções de repetição (amigdalites, candidíase, urina, entre outras);
– cansaço físico e mental;

– gripe recorrentes.

A maneira de manter o corpo no melhor do seu desempenho é se alimentar corretamente, beber bastante água, praticar exercícios físicos, dormir bem e controlar o estresse, dizem os especialistas. “O sistema imune é muito mais complexo do que se imagina. Depende de todo nosso organismo funcionando perfeitamente: circulação sanguínea, metabolismo proteico, absorção intestinal e muito mais. Sem isso, nosso corpo não tem a plena condição de se defender”, diz Kakitani.

“Uma boa noite sono é um dos melhores remédios que o ser humano tem em mãos. Ao dormirmos, melhoramos a condição energética do corpo, que é canalizada para o sistema de defesa”, reforça Awada.

Além disso, ele ressalta também a importância da atividade física, “pois um corpo condicionado fisicamente torna seu sistema de defesa 200 vezes mais competente imunologicamente falando, pela melhora da produção de fatores imunológicos anti-inflamatórios”.

Por fim, ótimos níveis de vitamina D também são critérios para uma boa imunidade. Ou seja, o famoso banho de sol é muito bem-vindo, sem extrapolar os 10 a 20 minutos diários.

O que colocar no prato para aumentar a imunidade

“Se você percebeu que sua imunidade anda baixa, uma ótima pedida é ajustar a alimentação”, pontua a nutricionista Nayara Massunaga Okazaki, mestre e doutoranda pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Ela recomenda “mais frutas, legumes e verduras, que contêm compostos bioativos e nutrientes que ajudam a manter o sistema imunológico mais saudável, além de gorduras boas do azeite e dos peixes”.

Um exemplo de refeição saudável, segundo a nutricionista, é “um prato com arroz integral, feijão, peixe grelhado e brócolis refogado ao alho”. Nos lanches, ela recomenda apostar em frutas com linhaça ou castanhas.

Confira, abaixo, alguns alimentos que ajudam na imunidade:
– Alho: além de trazer sabor aos pratos, é rico em vitaminas A, C e E e é considerado um antibiótico natural;
– Fontes de ácido fólico, que auxilia na formação de glóbulos brancos, responsáveis pela defesa do organismo: vegetais verde-escuros, como brócolis, couve e espinafre, além de cogumelos (shimeji e shitake), feijão e carne de fígado;
– Fontes de antioxidantes, que ajudam a diminuir o dano celular: castanha-do-pará e cogumelos, que contêm selênio;
– Fontes de ômega-3 e 9, que auxiliam as artérias a permanecer longe de inflamações: azeite, atum, sardinha e salmão, além de chia e linhaça;
– Fontes de vitamina C, potente antioxidante: acerola, laranja e kiwi, além de brócolis, couve, pimentão verde/vermelho e tomate;
– Fontes de zinco, que atua na multiplicação das células de defesa: carne, cereais integrais, castanhas, sementes e leguminosas (feijão, lentilha, ervilha, grão de bico);
– Frutas vermelhas: possuem antocianina (pigmentos vegetais), que é um importante composto bioativo;
– Gengibre: rico em vitaminas C e B6 e com ação bactericida;
– Oleaginosas: além de zinco, amêndoas, castanhas e nozes também são ricas em vitamina E.

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