Por Ana Clara Jovino 06.02.2021

Qualquer pessoa pode esquecer pequenas coisas no cotidiano, afinal a memória é seletiva e o cérebro guarda as informações consideradas importantes para cada indivíduo. Porém, se é algo que acontece com frequência, é interessante ficar atento. Os problemas cognitivos acontecem quando existe dificuldade em processar informações, incluindo atividades mentais como raciocínio, memória e atenção.

Os déficits cognitivos e limitações emocionais, ambientais e sociais são alguns fatores que atrapalham a interação social e consequentemente a qualidade de vida da pessoa idosa. Esquecimento, por exemplo, pode ser sinal de comprometimento cognitivo leve (CCL). Problemas como depressão, ansiedade, transtorno do sono, síndromes metabólicas e endócrinas podem levar ao comprometimento cognitivo.

Com o objetivo de ajudar pacientes e pessoas próximas aos idosos a conviver e superar os déficits cognitivos, como os familiares e cuidadores, existe a estimulação cognitiva.

Principalmente em tempos de pandemia da Covid-19, que de acordo com um estudo realizado pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (Incor), da Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo, pacientes recuperados da Covid-19 apresentam algum tipo de disfunção cognitiva.

O estudo realizado com 185 pessoas, entre março e setembro de 2020, constatou que 80% deste número apresentou algum tipo de sequela cognitiva após a recuperação da doença. Dentre elas, perda de memória, dificuldade de concentração, problemas com compreensão ou entendimento e dificuldades com o julgamento e raciocínio. Isso porque as pessoas que tiveram Covid-19 sofreram com o baixo nível de oxigênio enviado ao cérebro devido, primordialmente, ao comprometimento dos pulmões.

Fabíola Martins tem cursos sobre estimulação cognitiva para idosos. Ela atua há 12 anos com idosos e hoje mais especificamente em ILPI (instituição de longa permanência para idosos), Casa de repouso, consultório e domiciliar.

Para conversar sobre o tema, o Portal Fortaleza Cidade Amiga do Idoso conversou com Fabíola Martins, formada em Serviço Social pela Universidade do Sul de Santa Catarina. Pós Graduanda em Gerontologia e Saúde do Idoso, também tem cursos sobre estimulação cognitiva para idosos. Ela atua há 12 anos com idosos e hoje mais especificamente em ILPI (instituição de longa permanência para idosos), Casa de repouso, consultório e domiciliar. Confira a entrevista:

Portal Fortaleza Cidade Amiga do Idoso – Qual a importância da estimulação cognitiva para quem está com a idade avançada? Além da idade, o que faz a pessoa ficar com a cognição prejudicada?

Fabíola Martins – O bom funcionamento cognitivo é importante para a autonomia e para a capacidade de autocuidado do idoso, influenciando as decisões a respeito da possibilidade de o idoso continuar a viver com segurança e independência. Durante o envelhecimento normal, algumas capacidades cognitivas diminuem naturalmente com a idade. Há um declínio nas funções cognitivas, como a memória, atenção e as funções executivas, mesmo nos idosos que não são acometidos por doenças. Esse  declínio cognitivo pode ser por desuso, doenças, fatores comportamentais, psicológicos e sociais. A manutenção das habilidades cognitivas constitui um dos fatores associados à saúde e à qualidade de vida no envelhecimento, aliando-se ao bom desempenho físico e social. O funcionamento cognitivo saudável inclui domínios como linguagem, memória, funções executivas, julgamento, atenção, percepção e a capacidade de manter objetivos  na vida. A partir disso, podemos pensar que a saúde cognitiva refere-se à capacidade de manter  as habilidades cognitivas, funcionais e a rede de contatos sociais ativos.

A Atividade de Estimulação é muito importante, pois ajuda a potencializar, preservar e prevenir a perda do funcionamento cognitivo, como também para manter o que está preservado e assim reduzir a velocidade dos processos demenciais. São exercícios e atividades que fortalecem o cérebro, criando novas conexões neurais, ajudando a manter a autonomia e a independência.

Portal Fortaleza Cidade Amiga do Idoso – A memória é prejudicada com o passar do tempo?

Fabíola Martins –  Com passar do tempo nossas habilidades cognitivas tendem a diminuir e a memória é uma delas. Para entender melhor, vou mostrar quais são nossos domínios cognitivos. Constitui em: Linguagem, atenção, funções executivas, visuoespacial, memória, visuopercepção. A ação da memória se dá pela percepção da informação, através dos cinco sentidos – visão, audição, tato, olfato, paladar. Em seguida, essa informação passa para a cognição como uma representação mental do conhecimento, envolvendo as etapas de análise, codificação e estocagem ou armazenamento. Assim como nosso corpo precisa de atividade física, a nossa memória precisa de exercícios cognitivos.

Portal Fortaleza Cidade Amiga do Idoso – Como o cuidador, os familiares e pessoas próximas podem ajudar um idoso a estimular sua cognição?

Fabíola Martins –  Primeiramente ter muita paciência e carinho pelo idoso.  Incentivando a hobbies, ter um tempo de qualidade com o idoso, proporcionar uma boa noite de sono, cuidar do corpo também ajuda a cuidar da mente e acompanhamento psicológico é essencial. Muitas atividades do dia a dia, já é uma forma de estimular o idoso. Uma dica é, inclua ele nas atividades diárias. Convida para ajudar a escolher o feijão  por exemplo é uma delas.

Portal Fortaleza Cidade Amiga do Idoso – Quais as dicas de exercícios para ser trabalhada a atenção, capacidades de movimentos e linguagem?

Fabíola Martins –  Atenção é uma habilidade que pode ser entendida como um mecanismo complexo que  organiza e filtra a entrada de informações na nossa consciência. É complexa e multidimensional, pois apresenta intersecção com diversas habilidades, como as perceptivas, as  funções executivas e a memória.

Pode trabalhar  atividade que precisa de concentração como:  palavras cruzadas, xadrez e  até mesmo exercitar uma outra língua.

Movimento está bastante relacionado a  capacidades físicas ou capacidades motoras podem ser compreendidas como componentes do rendimento físico, são elas que nós utilizamos para realizar os mais diversos movimentos durante a nossa vida. São em um total de cinco: Resistência, Força, Flexibilidade,Agilidade e Velocidade.

Exemplos de atividades que podem ser trabalhadas são: Um alongamento com almofadas,uma caminhada, colocar uma música que idoso goste e dançar também é muito válido ou até mesmo atividades fisicas mais específicas .

As habilidades de linguagem está relacionada com a capacidade de interação social e comunicação, tendo grande influiencia no desempenho cognitivo e comportamental global de uma pessoa. Tende a ser menos afetada durante o envelhecimento.

Algumas dicas de exercícios que estimulam a linguagem são: jogo da forca,denominar objetos usando pistas,letras desordenadas , relacionar objetos com imagem entre outros.

Para quem tiver interesse de atividades para estimulação cognitivas para idosos só seguir no instagram @idosos60mais. Lá dou algumas dicas e falo sobre envelhecimento.

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